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Cultura

Sesc+Rabiscão enche de sonhos e expectativas o prédio que vai abrigar o Sesc Cultural

Evento que aconteceu entre 18 e 20 de setembro movimentou o espaço com oficinas, palestras, além da feira de ilustração que contou com artistas independentes

Publicado em 21/09/2026 12h41 Atualizado em 21/09/2026 12h41

Desde outubro de 2025, quando o Sesc-DF anunciou a criação de um centro cultural de referência internacional, a universitária Carolina Alves atravessa as quadras 311 e 511 para vivenciar experiências artísticas que ocupam o prédio onde funcionará o Sesc Cultural. O espaço entrará em obras no próximo ano e deve ser inaugurado no final de 2028, com um complexo de espaços expositivos, laboratórios de criação artística e tecnológica, teatro, cafés e áreas de convívio. “Saber que vai ter um espaço cultural desse porte próximo à minha residência é empolgante. Acredito que vai ter um impacto positivo em toda a região”, aponta.

 


 

 

Neste final de semana, Carolina foi, com a amiga e estudante Helena Reis, explorar o Sesc + Rabiscão, feira que reuniu artistas independentes no primeiro andar do prédio concebido pelo arquiteto Lelé Filgueiras, nome marcante da construção de Brasília. Circulou pelos corredores formados pelas bancas de 150 artistas de diversas gerações. Uma delas era a de Pedro Sangeon, artista visual, desenhista e muralista, que vendia canecas, livros, almofadas e bonecos de sua maior criação: Gurulino, personagem espalhado por muros e fachadas de Brasília, que, há uma década, ajuda a dar identidade cultural à capital brasileira.

 


Carolina Alves, com a amiga Helena Reis: arte e cultura na quadra ao lado

 

Com o broche de Gurulino no peito, Pedro sentia-se maravilhado ao integrar uma feira de artistas dando vida a um prédio que estava abandonado havia 20 anos. “É uma felicidade estarmos aqui ocupando este lugar com tantos projetos de arte e poesia mesmo antes desse espaço entrar em construção. Dá essa sensação de sermos pioneiros em ações coletivas que impactam a cidade. Aproveito e já lanço para o universo a realização de uma exposição dos meus trabalhos quando o Sesc Cultural for inaugurado”, projeta o artista, considerado inspiração para novas gerações de artistas da cidade.

 

A alguns metros de distância do ícone Gurulino, estava a banca do brasiliense Oitavo Lucas, sangue novo nos quadrinhos e nas artes visuais, que entrou no mercado ao conhecer o piauiense Martins Filho. Juntos, eles criaram o duo Lutins, que produz narrativas lúdicas com desenhos míticos, como os da coleção Sereias do Nordeste. Vendiam desenhos, revistas artesanais e bótons com artes. “É nossa primeira vez aqui. É interessante essa feira de arte acontecer num espaço que ainda está para ser construído, porque as pessoas já transitam por ele e o conhecem”, observa Lucas.

 

Com a expectativa de circulação de 4 mil pessoas nos três dias de feira, Janaina Coe, designer e uma das idealizadoras do Rabiscão, comemorou não só o sucesso da edição, mas também a parceria com o Sesc Cultural. “Estamos felizes em deixar nossos ‘pezinhos’ marcados no chão desse prédio, que vai se tornar uma meca da arte no Brasil. É uma honra o Rabiscão estar neste lugar desde esse momento de pré-construção.”

 

Esse clima de troca de experiências entre uma das principais feiras independentes de Brasília e o Sesc Cultural foi comemorado pelo diretor regional do Sesc-DF, Valcides de Araújo. “Essa é uma prévia do que vai ser o Sesc Cultural, um espaço cuidadosamente projetado para ser aberto, democrático, sem catracas e que vai abrigar experiências artísticas e culturais para todos os públicos, posicionando Brasília como uma referência para o Brasil e o mundo.”

 

De São Paulo, uma das mais importantes artistas visuais da arte urbana do país, Hannah Lucatelli, autora do impactante mural de uma pescadora pintado na empena do edifício Maristela, no Setor Comercial Sul, trocou ideias sobre sua arte com criadores da cidade e lembrou que “Brasília nasceu de um desenho” , tornando-se Patrimônio Cultural da Humanidade. De alguma forma, a metáfora lançada por Lucatelli fez sentido nos três dias de Sesc + Rabiscão, diante das mesas de desenho tomadas por crianças de todas as idades. Junto aos 150 artistas e aos milhares de curiosos que movimentaram a feira, meninos e meninas rabiscaram o Sesc Cultural, fazendo que deixasse de ser um prédio a ser reformado para se transformar num espaço vivo e com “alma”.